Gini: uma medida útil, não uma fotografia completa
O índice de Gini vai de 0, igualdade perfeita, a 1, concentração máxima. Ele resume distribuição de renda, mas não informa sozinho se os pobres ficaram mais ricos, se os ricos perderam renda ou como os ganhos se distribuíram entre regiões e grupos sociais.
2024
Menor valor da série revisada da PNAD Contínua apresentada pelo IBGE.
2025
Houve aumento da desigualdade frente a 2024.
2019
Referência pré-pandemia apresentada na mesma série consolidada.
Melhora de longo prazo não é linha reta
A série apresentada pelo IBGE mostra 0,540 em 2012, 0,545 em 2018, 0,543 em 2019, 0,517 em 2022 e 2023, 0,504 em 2024 e 0,511 em 2025. Portanto, é correto falar em melhora importante frente a 2019, mas incorreto dizer que a desigualdade continuou caindo em 2025.
Renda média nacional esconde abismos territoriais
Em 2025, o rendimento domiciliar per capita nominal foi R$ 2.316 no Brasil, variando de R$ 1.219 no Maranhão a R$ 4.538 no Distrito Federal. A desigualdade entre estados convive com desigualdade dentro de cada estado.
Programas sociais e desigualdade
As transferências sociais têm efeito importante sobretudo na base da distribuição, mas o Gini também responde à renda do trabalho, aposentadorias, patrimônio, impostos e estrutura econômica. Uma política distributiva precisa ser analisada pelo conjunto, não por um programa isolado.
Se todos ganham renda, mas os grupos do topo ganham proporcionalmente mais, a renda média aumenta enquanto o Gini pode subir. Por isso, “renda recorde” e “mais desigualdade” não são afirmações logicamente incompatíveis.
O que o site deve acompanhar
- Gini e participação de diferentes faixas de renda;
- pobreza e extrema pobreza;
- renda do trabalho e informalidade;
- diferenças regionais;
- acesso a educação, saúde, moradia e saneamento;
- tributação e transferências públicas.