Fome e pobreza são indicadores sociais e também temas de dignidade humana. A leitura ética desta área não substitui a estatística: primeiro vêm definição, série, fonte e contexto; depois, a reflexão sobre o que esses resultados significam para pessoas e famílias.
Três indicadores diferentes
Pobreza é uma medida monetária; a EBIA mede experiência domiciliar de restrição ou incerteza no acesso a alimentos; o Mapa da Fome da FAO utiliza prevalência de subnutrição em média trienal.
Pobreza em 2024
Menor proporção da série harmonizada do IBGE desde 2012. Em 2023 era 27,3%.
Extrema pobreza em 2024
Também menor valor da série; em 2023 era 4,4%.
Mapa da Fome
A média trienal 2023–2025 manteve o Brasil abaixo do limiar no relatório divulgado em 2026.
Pobreza monetária
Segundo a Síntese de Indicadores Sociais do IBGE, a proporção abaixo da linha usada na publicação caiu de 31,6% em 2022 para 27,3% em 2023 e 23,1% em 2024. A extrema pobreza caiu de 5,9% para 4,4% e 3,5%.
No exercício do IBGE para 2024, retirar benefícios de programas sociais elevaria a extrema pobreza de 3,5% para 10,0% e a pobreza de 23,1% para 28,7%. Isso estima o papel das transferências dentro do modelo; mercado de trabalho, inflação, salário real e composição domiciliar também importam.
Segurança alimentar
| Indicador domiciliar | 2024 | Leitura |
|---|---|---|
| Segurança alimentar | 75,8% | Três em cada quatro domicílios estavam em segurança alimentar. |
| Algum grau de insegurança | 24,2% | Quase um quarto relatava restrição ou incerteza no acesso à alimentação. |
| Insegurança grave | 3,2% | Categoria mais severa da EBIA; não equivale ao indicador PoU da FAO. |
Mapa da Fome
A FAO considera o país fora do Mapa da Fome quando a prevalência de subnutrição fica abaixo de 2,5% em média trienal. O Brasil saiu no triênio 2011–2013, voltou em 2019–2021 e saiu novamente em 2022–2024. O SOFI 2026, referente a 2023–2025, confirmou permanência abaixo do limite.
O limiar da FAO é nacional e estatístico e pode coexistir com milhões de pessoas em diferentes graus de insegurança alimentar. Por isso, FAO e EBIA são apresentados separadamente.
Critérios para avaliar políticas
- persistência da redução ao longo do tempo;
- efeitos entre grupos e regiões mais vulneráveis;
- resistência a crises de emprego e inflação de alimentos;
- custo fiscal e focalização;
- integração entre renda, trabalho, alimentação escolar, agricultura familiar e serviços públicos.